
Edição de Março/26 - Fazenda Boa Terra
Sobre o Café
Na edição de Março de 2026, seguimos explorando uma região que nos surpreendeu muito durante nossa recente viagem pela Chapada Diamantina. Depois de conhecer de perto produtores, lavouras e processos locais, encontramos mais um café que merecia chegar ao clube. Desta vez, o lote vem da Fazenda Boa Terra, também conhecida como Fazenda Paraguassuzinho, localizada em Paraguaçu, na Chapada Diamantina, Bahia.
A fazenda fica no povoado Brejos dos Aguiar, a cerca de 1.200 metros de altitude, em uma região de paisagens impressionantes e condições muito interessantes para a produção de cafés especiais. O clima de altitude, combinado com a luminosidade e o relevo da Chapada, favorece uma maturação mais lenta dos frutos, o que contribui para maior complexidade aromática e uma boa formação de açúcares nos grãos.
A história da propriedade começa há mais de 40 anos, quando Paulo Roberto e Marisa Azevedo deram início ao trabalho na fazenda. Durante muito tempo, como era comum na região, o café era produzido principalmente como commodity. Mas alguns acontecimentos ajudaram a transformar esse caminho. Em 2018, Paulo Roberto, ao lado do antigo administrador da fazenda e grande amigo da família, Joel, conquistou o prêmio de melhor café do Brasil pela ABIC — um reconhecimento que ajudou a mudar o olhar da família para o potencial que existia ali.
A partir desse momento, começou um processo de transição em direção à produção de cafés especiais. Em 2019, Isabela Pessoa assumiu a gestão da propriedade após se mudar definitivamente de Salvador para Ibicoara. Junto com seu marido Douglas, que era guia nativo da Chapada Diamantina e acabou migrando para o universo do café depois de conhecê-la, ela passou a investir fortemente em qualificação, manejo e melhoria dos processos de colheita e pós-colheita.
Desde então, a fazenda tem participado de cursos e programas de formação com parceiros importantes na região, como SENAR e SEBRAE, aprofundando conhecimentos técnicos e refinando o trabalho na lavoura e no terreiro. Os resultados começaram a aparecer rapidamente: em 2022 a propriedade conquistou o 4º lugar em um concurso nacional promovido pela Olam, ficou entre os 150 melhores cafés do Coffee of The Year na Semana Internacional do Café e também obteve certificação em agricultura regenerativa pela Nescafé. Em 2023 veio ainda o 6º lugar no Concurso Regional da Chapada Diamantina.
Nos últimos anos, a fazenda também passou a investir de forma mais consistente em práticas regenerativas e no uso de insumos organominerais e biológicos, buscando fortalecer a saúde do solo e a sustentabilidade do sistema produtivo. O resultado é um café que carrega não apenas qualidade sensorial, mas também uma filosofia de produção que olha para o futuro da terra.
O café escolhido para esta edição é um Bourbon Amarelo, com secagem realizada em terreiro suspenso e em estufa, um processo que ajudou a construir mais estrutura e complexidade no perfil final do lote. Na xícara, ele apresenta notas de caramelo, acidez cítrica e uma doçura bem pronunciada, acompanhadas de corpo consistente e finalização longa.
Mais do que um café bem pontuado, este lote representa uma história de transição, aprendizado e dedicação. Isabela tem um cuidado especial com cada etapa do processo, principalmente no pós-colheita, onde cada nanolote recebe atenção individual e até mesmo nomes próprios — um reflexo da conexão profunda que ela tem com o trabalho que realiza.
Março chega então com mais um belo representante da Chapada Diamantina, uma região que continua revelando produtores talentosos e cafés cheios de identidade. Bons cafés.
Galeria




Ficha Técnica
Produtor
Izabela Azevedo
Fazenda
Fazenda Boa Terra
Região
Chapada Diamantina
Altitude
1230m
Variedade
Bourbon Amarelo
Processo
Natural
Notas Sensoriais
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