
Edição Agosto/26 - Fazenda Comtu
Sobre o Café
Na edição de Agosto de 2026, trazemos um café que tem um significado muito especial para a Noete. Ele vem da Fazenda Comtu, em Santana da Vargem, no Sul de Minas Gerais, produzido por Danielle Fonseca e sua família. Mais do que uma nova origem no clube, este café representa um reencontro bonito proporcionado pela cafeicultura: Danielle é amiga de infância de Daniel, fundador da Noete, e os dois acabaram se reconectando depois de muitos anos justamente através do café.
Nos últimos anos, Danielle decidiu assumir com mais presença a fazenda da família, levando para a propriedade um olhar muito claro: produzir cafés especiais de altíssimo nível, com cuidado, intenção e respeito pela história do lugar. Hoje, ela e seu marido Iago vivem na fazenda e acompanham de perto a rotina da lavoura, do manejo ao pós-colheita. É o tipo de trabalho que nasce da decisão de estar presente, entender cada etapa e buscar evolução a cada safra.
A Fazenda Comtu carrega uma forte herança familiar. A propriedade pertence à família do saudoso Aureliano Chaves e hoje segue sendo conduzida por novas gerações, que buscam preservar esse legado ao mesmo tempo em que abrem espaço para inovação. A presença de Danielle na fazenda desde 2018 marca justamente esse movimento: olhar para a tradição com respeito, mas também com coragem para experimentar, estudar e elevar o padrão dos cafés produzidos ali.
O café é a principal atividade produtiva da propriedade, que conta com cerca de 42 hectares cultivados. Entre as variedades presentes estão Catuaí Vermelho e Amarelo, Topázio, Rubi, Mundo Novo, além de cultivares mais recentes como Paraíso MG2, Catucaí 2SL e Arara. É uma fazenda em constante movimento, com áreas experimentais, testes de manejo, práticas regenerativas, projetos de agrofloresta e estudos de pós-colheita que ajudam a construir cafés cada vez mais complexos e expressivos.
Esse cuidado aparece com muita força no lote escolhido para o clube. Para esta edição, selecionamos um Catuaí Vermelho que passou por um processo de fermentação anaeróbica, uma técnica que exige precisão e controle, mas que, quando bem conduzida, pode revelar camadas sensoriais muito marcantes. No caso deste café, o resultado é uma bebida extremamente complexa, intensa e ao mesmo tempo muito elegante.
Na xícara, as notas de frutas roxas aparecem com bastante presença, acompanhadas por uma doçura que lembra chocolate. É um café com muita personalidade, daqueles que mudam ao longo da experiência: quente, mostra uma fruta mais viva e intensa; conforme esfria, ganha ainda mais dulçor, profundidade e complexidade. A cada gole, novas nuances aparecem, criando uma xícara dinâmica, envolvente e muito prazerosa.
Esse é um café que foge do comum sem perder equilíbrio. A fermentação traz intensidade, mas não se sobrepõe à qualidade do grão. Pelo contrário: ajuda a revelar uma bebida mais profunda, com camadas bem definidas, doçura marcante e finalização longa. É uma edição para beber com calma, percebendo como o sensorial se transforma na xícara.
Para nós, também é muito especial ver uma história pessoal se transformar em parceria de café. Reencontrar Danielle depois de tantos anos e acompanhar o trabalho que ela, Iago e sua família vêm construindo na Fazenda Comtu torna esta edição ainda mais simbólica. É um café que une afeto, origem, dedicação e uma busca muito verdadeira por excelência.
Agosto chega, então, com uma edição especialíssima: um Catuaí Vermelho de fermentação anaeróbica, produzido com cuidado por uma família que honra sua história enquanto constrói um novo capítulo no universo dos cafés especiais.
Bons cafés a todos!
Galeria






Ficha Técnica
Produtor
Danielle Fonseca
Fazenda
Fazenda Comtu
Região
Sul de Minas
Altitude
950m
Variedade
Catuaí Vermelho
Processo
Fermentado
Notas Sensoriais
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