
Edição de Abril/26 - Sítio Shalom
Sobre o Café
Na edição de Abril de 2026, a gente volta para uma região que sempre entrega cafés marcantes e cheios de identidade: as Matas de Minas. E mais do que isso, voltamos também a um produtor que já deixou sua marca por aqui. O café do mês vem do Sítio Shalom, em Araponga, Minas Gerais, e é a segunda vez que selecionamos um lote do Valdinei e da Andreia para o clube — depois de uma primeira edição que fez muito sucesso.
Araponga é um daqueles lugares onde o terroir fala alto. O relevo é bastante montanhoso, com altitudes que variam entre 1.150 e 1.350 metros, e as lavouras do Sítio Shalom ficam acima dos 1.200 metros. Essa combinação de altitude e clima mais ameno favorece uma maturação mais lenta dos frutos, o que contribui diretamente para a formação de açúcares e complexidade na xícara. Por outro lado, esse mesmo relevo traz desafios importantes: o manejo é mais difícil, a mecanização praticamente não existe e tudo depende de um trabalho manual cuidadoso e constante.
Além das limitações do terreno, há também desafios agronômicos específicos da região. A maturação dos frutos, por exemplo, costuma ser bastante desigual, resultado de múltiplas floradas ao longo do ano. Isso exige ainda mais atenção na colheita, para garantir que apenas os frutos no ponto ideal sejam selecionados. Doenças como ferrugem e bicho mineiro não costumam ser grandes problemas por ali, mas o Phoma exige vigilância constante. No fim das contas, é um cenário que recompensa quem trabalha bem — e é exatamente isso que acontece no Sítio Shalom.
A propriedade tem 21 hectares no total, sendo cerca de 10 hectares dedicados ao café. Uma característica muito bonita do sítio é o equilíbrio com o meio ambiente: aproximadamente 8 hectares são de mata preservada, com nascentes e fauna local, mostrando que é possível produzir café de alta qualidade em harmonia com a natureza. As lavouras incluem diferentes variedades, e vêm passando por renovação com a introdução de cultivares como Paraíso e Bourbon Rosa, sempre com foco em evolução e qualidade.
Valdinei Rezende vive a cafeicultura de forma integral. No passado, conciliava o café com atividades no comércio, mas hoje se dedica exclusivamente às lavouras, colheita e pós-colheita. Ao lado da Andreia, construiu um trabalho consistente, que frequentemente aparece entre os finalistas de concursos e reconhecimentos pela qualidade dos cafés produzidos. É um daqueles casos em que a paixão pelo que se faz aparece claramente na xícara.
O café escolhido para esta edição é um Catuaí Vermelho Moka Natural, um perfil que já chama atenção tanto pela classificação quanto pelo resultado sensorial. E aqui vale um destaque: este é um café extremamente doce. Na xícara, traz notas de frutas maduras e uma doçura de melaço muito evidente, quase “gritante”, daquelas que dominam a experiência sem pesar. É um café intenso, envolvente e ao mesmo tempo muito agradável de beber, com corpo marcante e finalização longa.
As Matas de Minas são responsáveis por uma parcela importante da produção de café do estado, com uma cafeicultura majoritariamente de base familiar, formada por pequenos produtores. Essa característica se reflete diretamente na diversidade e na riqueza sensorial dos cafés da região, onde o cuidado artesanal e o conhecimento passado entre gerações fazem toda a diferença.
Abril chega então com um café que combina tudo isso: altitude, desafio, cuidado, tradição e uma doçura impressionante. Um daqueles lotes que ficam na memória — e que fazem a gente entender por que decidiu trazer esse produtor de volta para o clube. Bons cafés.
Galeria






Ficha Técnica
Produtor
Valdinei Rezende
Fazenda
Sítio Shalom
Região
Matas de Minas
Altitude
1300m
Variedade
Catuaí Vermelho Moka
Processo
Natural
Notas Sensoriais
Quer receber cafés como este todo mês?
Assinar Jornada